E em mais um daqueles lampejos que me perseguem as noites, as tardes, os dias inteiros, eu descubro que a vida vacila dentro do meu peito.
Acordei há pouco e não encontro nada que não seja espera e angústia, desespero.
Não sei nem onde começa e onde termina essa sensação idiota de vagar pelos azulejos gastos e limpos desta minha casa escura e velha.
As minhas ruas, as que rodeiam estes muros de cá, estão tão abandonadas quanto minhas semanas derramadas entre um travesseiro e outro.
Esqueço do quanto ainda posso caminhar de leve dentro dos quartos, da cozinha e da sala, todos os cômodos vazios.
Mas lembrei que também posso dormir o quanto quiser e puder, já que meus olhos nem percebem a luz acesa e a luz quando apagada. Eles dormem neste exato momento.
Estou um tanto quanto triste, neste começo de noite.
Um tanto quanto desesperada com a vida que se esvai pelos ralos dos meus sonhos.
Estou de ombros caídos e desacreditados de um possível espelho que os corrija, os conserte de alguma forma exata e colorida.
Está tudo tão branco e preto, arroz com feijão (branco)... Queria tanto um queijo com goiabada neste momento que já está passando, passou!
Eu quis muito um pouco de tudo e acabei aqui, sentada nesta mesa fria e confundindo os dedos e as teclas com meus pensamentos tão longe e tão distantes, sempre.
A lua não está ali na janela.
Nem muito menos a brisa de inverno.
O sol não acorda a esta hora.
E meus cílios pesam quando molhados.
Estou triste.
Queria um pouco de luz, câmera e ação.
E se depende de mim a vida recomeçar, realinhar-se, digo claramente que vai demorar pra tudo ir pra frente. Estou cansada. Andar sempre a pé cansa muito.
E é isso.
Hoje estou muitíssimo triste com meu relógio, com minhas almofadas e com a água que não desce na minha garganta.
Vou me recolher e quem sabe lembrar de uma canção boa e bonita pra embalar o sono que insiste em fugir dos meus olhos.
De volta ao presente
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Tenho nostalgia de quando não estávamos tão encharcados de nostalgia,
porejando por todo canto essas referências em excesso, procurando anos
idílicos, tr...
Há uma semana
não fica triste, tudo se resolve, tudo dá certo. estou contigo. um beijo
ResponderExcluirHum...
ResponderExcluiras vejo que vc tem mais dias triste do que alegres ;~
Belíssimo texto, apesar de toda a melancolia que exala... Creio que todo mundo se sente meio assim, com o relógio descompassado, descompensado... ao menos eu, vira e mexe me sinto bem assim!
ResponderExcluirSempre leio seus textos. Admiro a maneira como você escreve... Adoro a riqueza de suas metáforas...
Espero que já esteja conseguindo reordenar os ponteiros...
Um abraço!