quinta-feira, 3 de junho de 2010


O sol de feriado hoje me acordou cedinho.
Meu celular nem bem tinha acordado e já me chamava pra um bom dia super animado, super bom.
E tudo rendeu.
Desde o café da manhã rápido e faminto, até as roupas sujas colocadas na máquina de lavar... Hoje lavei todo o meu guardarroupa...
Limpei tudo e deixei o cheiro de eucalipto tomar conta das paredes e do chão do meu quarto.
Fiquei numa solidão rápida pela manhã e antes mesmo que o almoço fosse posto à mesa, meu celular gritou pra me animar, me deixar mais feliz.
Não quero mais nada desta vida que não possa me chegar, calma e tranquilamente.
Tudo tem seu espaço de tempo pra cair em si, pra pintar da cor melhor a ser vista e percebida.
Minhas noites clarearam, nem vejo os dias pesarem nos ponteiros e muito menos escorregarem no meu travesseiro, hoje só meu amigo.
Confidencio que estou mais livre que nunca, e isso inclui amizades que nunca tive e nunca poderia ter, por motivos vários e despercebidos.
Inclui a liberdade de não esperar, não querer entender, não precisar de.
As janelas continuam sendo abertas e fechadas, assim como as portas.
Quem decidir nelas entrar ou bater, cá estou para abri-las... O vento sempre traz o que é bom pra ficar.
O feriado nem acabou e eu já faço um balanço do quanto ele é só mais um dia feliz a passar por meu calendário.
Que bom!
Davi me chama, o vento também!

segunda-feira, 31 de maio de 2010


Claro que hoje, com aquela manhã de muitos ruídos no céu e muita água rolando, eu não poderia deixar de sentir uma melancolia bem clichê, bem bobinha e sem gosto, sem cor nenhuma, mas melancolia, inevitavelmente.
O dia se arrastou nas horas, se fechou por completo dentro de um cinza escuro bem típico de tristeza, de derrames...
E a vida segue, meu bem.
E se está doendo, há de passar aos poucos e criar casca daqui pra amanhã... Veja só!
As luzes não puderam ser apagadas. Nem as janelas abertas. Nem os cadeados das portas, eu tirei. Pra que?
Lembro de ter me balançado até dormir... Aquela rede me dá uma felicidade que só meu corpo sabe falar sobre, descrever como é.
Tenho medo, muito medo, isso é fato.
E quantos medos ainda me chegarão?
Perdi a hora, de novo.
Perdi a vontade de conversar, de novo também.
E acho que perderia a vontade se eu visse direito, enxergasse.
Não sei, mas esse céu cinza escuro da noite que estancou agorinha vai berrar pra mim.
Vou esperar ali sentadinha na beirada da cama, me agarrar com meus pedidos e minhas lembranças infindáveis, degustáveis todas.
Nada a reclamar.
Não esbravejo mais.
Não e não pra cima.
O meu sim, que é sempre completamente sim, é seu, pega.
A noite chegou, a chuva também e eu vou ficar ali, só esperando.
Espero mesmo.
Esperar por você!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

desconstruindo... indo...


Sabe, aquelas janelas enferrujaram... Eu esperava por isso.
É tão ruim esperar pelo ruim, pelo o que machuca, magoa, desconstrói... A verdade que tem me aceito é exatamente essa, desconstruída. E não me venham com essas sobrancelhas saltitantes, nem com esses dedos dançarinos engatinhando pelo rosto... É só isso que posso e sei dizer, eu estou desconstruindo.
A minha rua tá vazia como o que... E mesmo com essa lua perolada gritando naquele céu lá de fora, eu continuo aqui catando motivos pra não pensar, pra não doer, pra não roer, pra não cair ali.
Tudo tem demorado tanto. Tudo, tudinho.
Os dias começam e acabam no mesmo instante que acordo.
E quando eu os vejo finalmente se lançando entre uma alegria, lá vem algo que me tira o construindo... Descontrói novamente.
Eu sabia que estava envelhecendo, ficando doente, ficando cada dia menos por aqui.
E sabia mais, sabia também da quantidade de fios desligados que possuo dentro de mim...
Ah, se eu conseguisse religá-los todos, um a um, sem pressa nenhuma...

E o algodão do meu travesseiro cheira, some dentro da minha boca, dentro do meu sufoco.
Dormir agora é desconstruir essa vontade de permanecer lúcida, pra sempre, só por hoje.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

dezembro.


A paisagem pincelada a olhos turvos, enganosos, me trouxe ruídos novos e ventos perfumados por Tarsila...
Não cheguei de fato ao alcance, não conseguia pegar com as mãos e meu pensamento fugia a cada segundo que antepassava minha dúvida, meu medo.
Eu estivera a kilômetros dali e jamais em todo aquele ciclo, me imaginei sentada ou deitada naqueles fios, naquela atmosfera verde, úmida.
Eu não podia estar sozinha, não queria que assim fosse. E não foi!
Nunca mais... Não até agora...
Os dias se tornaram mais dias que noite, agora.
E agora isso tudo se torna feliz, indescritivelmente feliz e feliz, mais feliz!
Engraçado ver as cores de mundo assim, desse jeito bobo e desajeitado.
E é mais engraçado saber ver.
Ontem mesmo a minha vida, os meus rumos (eram muitos) não cabiam dentro do meu travesseiro. Até porque ele sempre esteve tão encharcado, tão pouco algodão. E agora, nesse meu hoje de um dezembro inesperado e vermelho, vejo quão louca é a vida e seus ponteiros, suas formas de manobrar janelas e portas e frestas...
Você entrou pela porta da frente.
Aquele beijo que eu tanto imaginei que seria possível (quiçá), veio tão transparente, tão devagar e tão merecido. Merecido sim!
As minhas mãos se perderam nas suas de novo.
Os meus dedos, pra que encontrá-los???
Meus pés sentiram tanto frio longe de você, do seu cobertor, da sua forma de me ver nesse mundo.
Eu quis você.
E quero tanto sempre e sempre.
Quero mais e ainda mais.
Na verdade, devagar é o nome que consigo dar pra o que meu coração sentiu ao ter lapsos seus voltando, chegando, ficando.
Voltei a respirar depois de alguns segundos imóvel, descrente, absorvida pelo cheiro de areia de praia, mar, maresia...
Eu nem quis saber se meu relógio estava perto, se as horas iriam nos deixar a sós, se, se, se, se...
Eu quis saber do seu beijo, da sua cor e do seu gosto.
As portas estavam escancaradas e, caso eu não as deixasse permanecer assim, você certamente encontraria as cortinas amarelas esperando por um pulo seu.
Meus chinelos estavam ao lado dos seus... Cena boba de se lembrar, mas bom, muito bom retornar a sorrir com detalhes bobos.
Você está aqui de novo.
Está perto.
Está ficando não mais só aqui, mas ali e acolá e bem pra lá também!
Novembro bom de se ter no calendário.
Dezembro inquestionável de se permitir varrer, encontrar.
Estou aqui de novo também.
Retornando aos risos fáceis e sem obrigações de assim serem...
Não temos mais obrigações.
Não temos.
Bom demais ter nuvens e sóis e aquele arco-íris.
Bom mesmo.

Amo você.
Você e você!!!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

(Sem título)


A música daqueles dias estava de baixo volume... Sem botão para reajustes, permaneceu assim.
Não sei bem onde continuei aquela leitura de partitura, mas lembro exatamente dos sons que escondi em meus pensamentos, em minhas memórias tão gastas, tão doloridas.
Mas é isso, a dor chega em dias justos, cheios de poeira negra e grudenta, e dispara sobre nós um alívio imediato sem cores, sem cheiro algum.
Meu nariz não mais se abre pra o seu perfume doce, delicioso de se deixar levar.
Encontrar-se no emaranhado de sensações que ele provoca/desperta sem dó e muito menos piedade de tipo algum, seria encontrar muitas páginas para ler, sem rasgar, sem tocar com muita força. Devagarinho, isso sim.
Mas eu tenho pressa... Tenho uma sede insensata pra hoje, pra agora, pra esse instante que já está passando, espia.
E você não alcança mais. Não me dá a mão pra eu te alcançar. Você se vai, foi, foi pra lá.
Mas o seu perfume doce, perigoso até, fica sempre pelos cantos, pelo teto, no travesseiro que as vezes segura sua cabeça. Fica até nas mamadeiras sentadas no móvel do meu quarto.
E a sua cor, essa já desbotada pela quantidade de sóis que te acompanham (que inveja!), me faz ter recordações das imensas tardes que tivemos trocando, a sua cor na minha (ou o inverso)... Me lembro tanto dessas tardes, com ou sem chuva... com ou sem as trancas certas... com ou sem a felicidade que eu quis um dia, inutilmente.
Sabe que nem tão inútil assim me sinto agora, pensando melhor...
Na verdade, a gente nem sabia onde começavam as coisas, as horas, aqueles dias. A gente sabia da gente. Sabia que hoje era sim e amanhã também quereria ser.
Bom, né???
Eu me recordo disso agorinha. E nem sei como comecei a lembrar logo dessas tardes.
Logo das vontades de você que me preenchiam os vazios que eu mesma cavava em mim, dentro desse oco que agora tenho ecoando.
Logo agora, que você saiu, bateu uma porta ao fim e disse não estar ansiando voltar... E por quê???
Meu agora está nessas tardes que se esqueceram de mim, deixaram de me encontrar.

Mas sei bem o quanto ainda percorro aquele caminho que te chega.
Percorro detalhadamente, sem pressa e freios.
Chegando ao seu portão, ou porta, ou janela, fresta (quem sabe?), te digo com tanta devoção que ''ainda permanece inabalavelmente dentro do meio seio''.
Te digo ainda que ''nenhuma tarde alcançaria o que aqueles dias me bastaram''.
Chega, você sabe disso. Você decorou de tanto eu te afirmar indecorosamente.
Está tão calor... Das minhas janelas já nem entram ventos, nem sopros, nem mesmo o seu perfume... Ele também acabou.
E eu continuo piscando e percorrendo os ponteiros que anunciam a sua visita de amanhã.
Você agora é visitante.
E eu???
Estou te esperando.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Agora, de frestas azuis!!!


Ah, esses dias sem horas que estão me carregando pra fora de mim, me completam os dias que seguem, que ainda não se aprontaram.
Estou mesmo aqui, mas sem poder ficar em definitivo ou me demorar mais que do penso em querer, digo que minha vida está a mil maravilhas, mas dançando numa lama seca, que por vezes me derruba os pés e as mãos nesse chão sem piedade.
Não sei como ainda permaneço feliz, nem mesmo com este riso agudo, estridente... Não sei nem porque eu ainda me ponho a pular o que não gosto, o que não quero mais.
Sei que estou bem, que estou satisfeita por algumas horas e ansiosa por tantas outras que nem sei se existem, se vão nascer a tempo... Hão de nascer!

E toda essa gaveta cheia de fraldas, pomadas pra assaduras, lenços umedecidos e termômetro, me dão o ar da graça de ser mãe. É, hoje sou mãe.
Amanhã serei ainda mais e adiante também...
O dia está belo hoje... Ontem nem foi assim, nem tão azul, mas hoje está lindo...
Dormi fácil e cheia de pensamentos de boa noite (ou bom dia?).
Mas ainda que meus sonhos sejam sempre assíduos, e nada reais, eu me atenho às mamadeiras e ao cheiro de lavanda doce que me agarra pelo seio e me ama incondicionalmente.
Felicidade é saber amar quem podemos, quem precisa...

Me faço necessária e isso me basta.
Chega, né?
Pra que mais???
Pra quem???
Chega de portas e janelas abertas...
As frestas azuis já estão bonitas demais, já servem.
E chega de suicídios de travesseiros...
Chega!!!

Feliz, feliz, oh...

sábado, 10 de outubro de 2009

Davi chegou!


O dia tinha demorado a passar... Na verdade, ele nem passava... Tinha emperrado aqueles ponteiros velhos e de origem duvidosa daquele relógio.
Até que eu tive de ir... Eu tinha mãos comigo, corações muitos também. Eu tive orações, rezas, torcidas, eu tive tudo. E o sorriso me acompanhava, ainda que escondido por trás do medo, medo do novo, medo de encarar finalmente a ficha que deveria cair a poucas horas a partir daquela hora.
A maca chegou. Quando me posicionei, a garganta já não mais engolia a saliva, e muito menos os gritos que eu estava precisando ressoar.
Eu fui.
Dor não senti, de fato. Mas a angústia, a espera inesperada da hora, das horas seguintes, me maltrataram a pele dos ossos, do coração.
Davi chegou aos gritos. E minhas lágrimas eram maiores que ele... Eu não saberia dizer, escrever que sensação foi aquela que me comoveu. Mas sei que ainda sinto os arrepios daquele dia 23 de setembro de 2009.
Eu não estava mais sozinha!
Os dias seguintes foram difícieis, como deveriam, tinham de ser.
Acostumar-se, adaptar-se.
Mas é amor o que me move hoje.
Todo o amor.
Ele, o Davi, mexe com o meu humor como quem sabe exatamente onde está, e pra onde vai.
Sou todo amor dessa vida!!!

Viva a vida.