domingo, 7 de setembro de 2008

Suicídio no incêndio?


Acordaram-me e avisaram de um incêndio em minha cama! E agora, apagaremos como, com o que? Aliás, pra que apagá-lo?
Depois de uma fumaça sozinha cobrir todo o quarto onde apenas dormi, vi que minhas malas estavam intactas, e me esperando, me espreitando. Nada mais me adiava no instante que estava reiniciando. E as gotas de alguma coisa que ainda ficaram (e sempre ficam), me preencheram profundamente a calma, o não querer, as perguntas e as respostas que nem quis escutar por completas!
Só sei que pesei as malas, calculei a distância pra onde eu as levaria e me levaria com elas, e vi que ainda devia esperar amanhecer. Afinal, a noite sempre guarda gemidos e arrepios e marcha a ré... E por que não guardar as malas por mais algumas horas e comer pipoca assistindo a um filme qualquer enquanto o ponteiro do relógio grita que 'pronto, é agora!'

E assim foi!

sábado, 6 de setembro de 2008

Mais um sábado!


Sábado bucólico e cheinho de planos e pessoas (pessoa) novas e novidades e lugares a ir e mais pessoas que também estão chegando e sorrisos se abrindo e frio na barriga me levando e viagens sendo marcadas (com acampamentos) e despedidas de muitos e muitas e goles a mais e tragos desejados (sempre e sempre mais) e sushis matando desejos e comidas maravilhosas e sono que nunca vem e olhos atentos que nunca piscam e... Ufa! 
[Pausa pra respirar]

E tem mais... 
Tem minha vida dando rumo por fora, meus sentimentos saciando a si como em fotossíntese, meus pés caminhando contra o caminho, minhas mãos gelando e pingando juntas, meu cabelo crescendo em ordem alfabética, meu dicionário taxonômico sendo lido, meus livros acabando, meus cds sendo assassinados e substituídos de imediato, cantores e melodias me ensinando, meus olhos tornando-se independentes, meu sorriso ficando cada vez mais Monalisa... Ufa!
[Pausa pra pensar]

Tem muitas horas a mais no meu relógio verde e grande. Os ponteiros me mostram que cada vez que ele conta, meus dias ficam ainda menores no calendário. E o que vou fazer quando as folhas deste tiverem sido todas arrancadas? Como vou levar todas essas malas pesando no medo e nas coisas que não podem ir dentro dela? E as opções que não fiz? E o não querer que tem sido? 
Perguntas tantas, respostas nem tanto assim! 

Por hoje é só. Eu bem que podia ter ficado dormindo. Mas dormir pra que, né?
Enfim...


P.s.: Mas que bom, amanhã tenho Parque do Cocó pela manhã, almoço na Jussara a tardinha e, à noite, teatro José de Alencar com Rosa e Gyl... Temos, temos, temos! 


“Sol de primavera abre as janelas do meu peito... lálálá lálálaiá"


Tem coisa mais desconsertante que masclar um chiclete qualquer e ao entregar o dinheiro da compra na farmácia, perceber o caixa te olhando com um riso de canto de boca? Pois é, o chiclete, então, azul e com gosto de tutti fruti gasto (borracha velha), me deixou com a língua e lábios azuis. Pode? Perdi a 'vergonha na cara' e fui-me embora cantarolando uma dessas musiquinhas infantis (de espetáculos idem) e pensando: 'Que mal há em ser vezes infantil também?'
Incrível como o ser humano perde as veias pueris e se acha no dever de avisar ao outro que se ele assim se deixar estar, será um ridículo andando por aí, e mais, pode ser até chamado de 'doido varrido' e ou coisas assim. Que nada!
Agora me valho das minhas últimas leituras de Arnaldo Jabor, "Que mal há em ser ridículo, em pagar mico se a vida nada mais é que efêmera e íntima?". Pois pois! Apoiado!!!
Não entendo essa mania de ser sempre 'adulto', e ter de relacionar 'maturidade' com idade, com tempo de vida na terra (ou não exatamente nesta). Que coisa, podemos sim sermos como quisermos. Ainda que o senso do ridículo exista e cochiche aos bons ouvintes, sejamos singelos e não comportamentais de quando em vez, né não?
As ruas estão repletas, assim ó, de engravatados (não necessariamente de gravatas propriamente ditas), de rostos cansados e antipáticos (nem sempre nesta ordem) e chatos e mal educados e mal humorados e, enfim! Por que não se permitir muganguear (esses meus taxonômicos dialetos...)?
Ah, que se f... esse povo perdido no tempo, no espaço (de si próprios). Vão cultivar suas plantinhas de fundo de quintal e sentar-se à beira da calçada se divertindo com a conversa de vidas alheias (em todos os sentidos), que eu cá estarei, sendo sim ridícula quando eu bem sentir-me no querer de ser e ser e ser e ser!

Vou ser sim, e pronto e acabou!
(E que seja a derradeira vez que cá venho avisar!)

Mais uma dela (A Clarice) !


Inevitavelmente acordar Clarice e Caio... Mas cá, por enquanto, só de Clarice... Já já eu chego!



"Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu queria amar o que eu amaria - e não o que é. É também porque eu me ofendo a toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim.
Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente.
Talvez eu tenha que chamar de "mundo"esse meu modo de ser um pouco de tudo. 
Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário(...). Eu que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu."

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Arnaldo Jabor, eis!


"Crônica de amor" 

"Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem,
caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes
teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. 
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, 
por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem 
e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo 
mistério,
pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, 
pela fragilidade que se revela quando menos se espera. 
Você ama aquela petulante. 
Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, 
você deu flores que ela deixou a seco. 
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia 
e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal 
e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.
Então?
Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, 
o beijo dela é mais viciante do que LSD, 
você adora brigar com ela e ela adora implicar com você.
Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, 
ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. 
Ele não emplaca uma semana nos empregos, 
está sempre duro, e é meio 
galinha. 
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado
e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim... você é inteligente. 
Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Cohen 
e do Robert Altman, mas sabe 
que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido 
num comercial de xampu e seu corpo
tem todas as curvas no lugar.
Independente, emprego fixo, bom saldo no banco.
Gosta de viajar, de música,
tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Como um currículo desse, criatura,
por que está sem um amor?
Ah, o 
amor, essa raposa. Quem dera o amor
não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: 
eu linda + você inteligente = dois apaixonados. 
Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio
nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível, 
honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, 
bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! 
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!
Pense nisso".



Olha o Arnaldo...


"Antes Idiota, que infeliz!"

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: 'Digam o que disserem, o mal do século é a solidão'.
Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas.
Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos 'personal dance', incrível. E não é só isso não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvída?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão 'apenas' dormirem abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a 'sentir', só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número de comunidades como: 'Quero um amor pra vida toda!', 'Eu sou pra casar!' até a desesperançada 'Nasci pra ser sozinho!'
Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, 'pague mico', saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra que pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: 'Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida'.
Antes idiota que infeliz!

Para alguém!


E te olhando assim, simples e com a cor do Windows do computador ao teu redor, vejo tanto do primeiro dia em que te quis...
Claro que não tinhas a pele assim tão exposta e a virilidade tão certa...
Eu nem bem sabia seu gosto, seu cheiro, seu tamanho, suas predileções, só sabia que queria saber.
Não sabia como seria um abraço (e de que sabor este seria), ou mesmo um andar de mãos-dedos dados. Mas eu quis saber. Eu quis e quero sempre tanto (com você existe esse tempo de sempre)...
Nem me passava pela cabeça dividir o shampoo com seus cachos, ou pegar emprestado uma toalha de banho... E como seria pentear-me frente aos teus olhares?
Quando te vi, desprevenido de minhas observações de soslaio, nem me demonstrava ter sorrisos acessíveis aos meus. Ou mesmo caminhadas que alcançassem meus lugares mais gostosos. E dividir tragos e goles? Não mesmo!!!
Mas te vendo daqui, deste meu momento, te vejo tão espaçoso dentro de mim.
Arranquei portas e janelas e te dei, pode entrar definitivamente.
As folhas de nossos planos, vezes o vento sopra pra lá e pra lá, e quando corro para recuperá-las, te dou algumas em branco, juntamente, para que caibam outros novos e deliciosos planos.
Tenho te visto sempre lindamente em minhas mãos, pernas, cabelos. Você afundou em mim, e que bom, até nadar tenho aprendido em você!
Hoje casamos os chinelos, as escovas de dentes, os lugares no guarda-roupa e gavetas. Casamos os dias de passeio com Max, as horas de internet. Casamos o sono e o acordar, o desejo e a sêde, a fome, as gripes (e cof cof cof). Até os travesseiros tornaram-se cúmplices, marido e mulher!
Sua voz pertence aos meus ouvidos, aos frios na barriga que sinto quando te olho (seja lá como olho).

Hoje e sempre acompanhado de amanhã, casei meus sentidos aos seus. E deste colchão que deitada te observo, relembro à você que o amor só cabe em si quando a pretensão de amar permite-se não ter preconceitos, medo, idade, corpo. E desprevenidamente, alcanço em ti o que um dia meus pés, mãos e braços jamais bastaram em si para alcançar-se a si próprios.
Garanto à ti, por meu querer, que o meu sabonete é mais feliz quando também te perfuma!

("Boa Noite" - Djavan)

Meu ar de dominador dizia que eu ia ser seu dono
E nessa eu dancei! Hoje no universo
Nada que brilha cega mais que seu nome
Fiquei mudo ao lhe conhecer, o que vi foi demais, vazou
Por toda selva do meu ser, nada ficou intacto
Na fronteira de um oásis, meu coração em paz se abalou
É surpresa demais que trazes, 'inda bem que eu sou Flamengo (mentira, sou Palmeiras)
Mesmo quando ele não vai bem, algo me diz em rubro-negro (verde e brancoooo)
Que sofrimento leva além, não existe amor sem medo
Boa noite!
Quem não tem pra quem se dar, o dia é igual à noite
Tempo parado no ar, há dias, calor, insônia, oh! noite
Quem ama vive a sonhar de dia, voar é do homem
Vida foi feita pra estar em dia, com a fome, com a fome, com a fome
Se vens lá das alturas com agruras ou paz, Oh, meu bem, serei seu guia na terra
Na guerra ou no sossego sua beleza é o cais e eu sou o homem Que pode lhe dar, além de calor, fidelidade
Minha vida por inteiro eu lhe dou
Minha vida por inteiro eu lhe dou